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Esta página foi feita para todos aqueles que gostam de teatro e o consideram uma forma de evangelismo e de fazer a obra de Deus. Aqui você encontrará peças teatrais, esquetes etc

Ensaio de ajuste geral

Teatro por Teatro Evangélico em 19/01/2006


Depois que a obra tenha sido ensaiada e dominada em suas partes separadamente, em seus elementos, cenas e atos, devemos então pensar no conjunto num todo uniforme. Não devemos deixar esses ensaios para os últimos dias, devemos ao contrário fazê-los com freqüência. Este é o único elemento de que dispõe o diretor para uma verificação geral do andamento do trabalho. Se deixarmos para os últimos dias, estaremos tropeçando com os ensaios técnicos, com os ensaios de roupas e de luzes. Isto dificultaria qualquer mudança que porventura quiséssemos fazer. O primeiro objetivo destes ensaios de ajuste é a regulagem do tempo. Temos que anotar o tempo de espetáculo para que este não se alongue demasiadamente e tenhamos que depois da peça estreada fazer um corte. Isso acontece freqüentemente com as peças e depois sofrem cortes moderadores de tempo. Muitas vezes o público sente-se prejudicado com os cortes, embora achasse o espetáculo demasiado longo.

Se desde o início fazemos correr a peça, teremos sempre sobre o nosso controle a duração do espetáculo. Claro está que esse tempo não pode ser preciso antes dos ensaios técnicos terem sido terminados, as mudanças de cena, consomem um importante tempo na duração do espetáculo. Se durante os ensaios já houver algum acessório pronto ou algum cenário já em andamento, pode o diretor fazer uso deles, mas não é absolutamente indispensável, contudo devemos fazer uma previsão aproximada para cada mudança e contar este tempo na composição do espetáculo. Muitas vezes o ritmo está baixo devido à falta de rapidez no texto e nos movimentos. Estes ensaios darão a oportunidade de regular os tempos de entrada, de cruzamentos, de servir uma bebida ou de servir um jantar. Muitas vezes bastaria apressar um pouco o diálogo para que a peça adquira mais ritmo. Imaginemos por exemplo cinco pessoas que terão que se servir de uma bebida para então retornarmos o diálogo. Se cada uma gastar a metade do tempo que gastava anteriormente já teremos uma pausa menor. E assim no decorrer da montagem percebemos uma infinidade de pequenas pausas que somadas marcam um tempo demasiadamente longo e desnecessário. Enquanto que algumas cenas devam ser aceleradas, outras deverão ser ralentadas para que possam passar melhor o seu efeito.

Na música temos três partes importantes: harmonia, melodia e ritmo. No espetáculo da mesma forma, temos o enredo que seria a harmonia, o diálogo que seria a melodia e o ritmo.

Cada música traz em si o seu próprio andamento, o seu ritmo marcado, numa peça teríamos quase que o mesmo problema. Existem cenas que pedem um andamento próprio, que se alongados ou retardados matariam todo o efeito dramático. Uma boa produção tem uma pauta rítmica própria. Alguns diretores vãos tão longe neste sentido que chegam a olhar suas produções como uma pauta musical. O ritmo da comédia é mais rápido do que o ritmo do drama. Uma farsa deve ser tão rápida a ponto de impedir o público de pensar e refletir no absurdo das situações. Assim pode, desde os primeiros ensaios, estabelecer a questão do ritmo. O ritmo se consegue pela alteração dos tempos e de andamento das cenas. Podemos alcançar um ritmo alternando o andamento das cenas. Ora mais rápidas, ora mais lentas. Também conseguimos ritmo acelerando o andamento ao nos aproximarmos de um ponto crítico da ação. Uma cena relativamente lenta que se vai acelerando até terminar num momento crítico e então termos uma pausa relativa ao acontecimento.

Isso, contudo são alguns dos recursos, não podemos ditar regras nem fórmulas. Cada peça e cada montagem tem seu próprio andamento e seu próprio ritmo. Ao diretor cabe desenvolver o seu sentido de percepção. Para sentir onde e quando deverá acelerar ou retardar o andamento da cena. Muitas vezes já no próprio texto, na leitura de gabinete, já podemos anotar alguns dos andamentos, outros só quando a peça já está de pé, e em seu conjunto, é que podemos marcar o ritmo. Freqüentemente o diretor pretende um efeito de contraponto, um duplo ritmo e então nestes ensaios de apuro é que se tornam realmente visíveis às falhas do andamento.

ENSAIOS TÉCNICOS

São os ensaios dedicados ao ajuste e funcionamento das mudanças de cenário, dos efeitos de luz, dos efeitos sonoros e musicais, a manipulação de acessórios. Antes de iniciar o ensaio de luz, já deverão ter sido ajustadas as instalações e fixação dos refletores. Já deverá ter sido previamente elaborado um plano de iluminação e preparada a instalação das luzes. Estes ensaios em geral são monótonos e tediosos. Devemos contar como pouco rendimento. Podemos pedir aos atores que marquem a peça e fixem os lugares das marcas.

Muitas vezes existe um efeito especial de luz então caberá ao ator marcar corretamente a sua posição em função do refletor. Nem um pouco mais à frente nem um pouco mais ao lado.

Estes efeitos deverão estar anotados num texto que será entregue ao iluminador. Três ou quatro falas antes deverão ter uma nota de atenção, e na fala correspondente a mudança então a combinação deverá ser executada. Os refletores já deverão estar numerados e em caso de ser usada a resistência os refletores já deverão estar agrupados em combinação de efeitos.

Da mesma forma os efeitos sonoros e musicais deverão estar marcados em outro texto para ser entregue ao sonoplasta que da mesma forma será advertido quatro falas antes para se preparar para o efeito. Existem teatros tão bem equipados que os iluminadores e sonoplastas são avisados por controle eletrônico pelo diretor de cena. Uma luz verde para se preparar e uma luz vermelha para executar, ou então uma comunicação por interfones. Estas combinações e efeitos devem ser repassadas até o completo automatismo e entendimento a fim de não tumultuar o espetáculo. Efeitos especiais como um anoitecer ou amanhecer devem ser fixados ou no tempo de efeito ou então na fala que se inicia o efeito ou a fala em que ele chega ao máximo. O iluminador deve registrar todo o esquema de mudanças de luz assim como a posição dos refletores a fim de poder reproduzir os efeitos sem interromper aos ensaios subseqüentes. Toda correção deverá ser anotada e comunicada ao fim do ensaio.

ENSAIOS COMPLETOS — ENSAIO GERAL

O ensaio geral é a pré-estréia da peça. É aquilo a que o público deverá assistir no abrir do pano. Se todos os detalhes foram cuidadosamente tratados, o ensaio geral será apenas um ajuste de todos os elementos. Se ao contrário e os detalhes foram descuidados, o ensaio geral se torna um pesadelo, um verdadeiro desastre. Todas as funções se juntam, ninguém sabe o que fazer, nenhum efeito será posto na hora certa. Um diretor experimentado deve se preparar para esta eventualidade. Muitos espetáculos são postos ao público sem o ensaio geral. Muitas vezes, o ator pisa no cenário pela primeira vez na hora do espetáculo e veste a túnica romana no momento de entrar em cena. Muitos atores descobrem que aquele rompimento por onde saía com toda a facilidade agora tem uma porta, e aquele gesto largo e pleno não pode mais ser feito porque as mangas da sua casaca não mais permitem tal movimento.

Não devemos, portanto deixar para o ensaio geral uma sobrecarga de trabalho. Se a produção foi cuidadosamente planejada, teríamos que prever ensaios para a roupa e para o cenário. Se uma vestimenta não estiver ajustada, não será no ensaio geral que iremos consertar. Não haverá tempo para isso. Os tipos e caracterizações já devem ter sido feitos. Se o ator não é capaz de sozinho criar a sua maquiagem, neste ensaio geral não será o momento de aprender. O diretor já deverá conhecer a dificuldade do seu elenco e ter providenciado com antecedência um maquiador. Tão pouco neste ensaio geral será a hora de fazer modificações e correções. Existem diretores que se gabam de até no momento de abrir o pano estar inventando uma nova marcação. Este virtuosismo do diretor gera uma insegurança no elenco que porá em jogo o andamento do espetáculo.

Se as roupas são complicadas de serem vestidas, e as perucas difíceis de ajustar, teremos um ensaio de caracterização tido a oportunidade de verificar as dificuldades e prever o tempo gasto para que não caia sobre o andamento da peça ou que tal mudança possa retardar uma entrada. Os ensaios gerais devem correr como uma apresentação. Muitos diretores gostam de convidar um certo número de pessoas para este ensaio. Se eles correrem exatamente como numa estréia, sem interrupção, pode ser útil a presença de um público como teste de reação. Se, no entanto estes ensaios ocorrem com interrupções, à presença do público pode ser constrangedora e constituir numa distração.

 

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